TV Mova-se #SindDebate discute desafios do precariado e o futuro da organização da classe trabalhadora

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As profundas transformações no mundo do trabalho foram tema de mais uma edição do programa TV Mova-se #SindDebate, promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Estadual do Ceará (MOVA-SE). A convidada da vez foi a jornalista sindical e editora-chefe da Metamorfose Comunicação, Marina Valente, que abordou o tema “Proletariado: desafios e lutas da classe trabalhadora”, destacando os impactos das mudanças nas relações de trabalho e os desafios que elas impõem ao movimento sindical.

Durante a entrevista, Marina Valente explicou que o chamado precariado, para parte dos estudiosos, não constitui uma nova classe social, mas sim uma parcela crescente da própria classe trabalhadora. Segundo ela, esse grupo é formado por trabalhadores, em sua maioria, com alta escolaridade, perfil urbano e acesso à tecnologia, mas que vivem sob constante insegurança profissional. Terceirizados, trabalhadores por aplicativos, profissionais pejotizados e pessoas submetidas a vínculos cada vez mais frágeis convivem com a ausência de estabilidade, a perda de direitos e a incerteza em relação ao futuro. De acordo com a jornalista, esse cenário é resultado de décadas de políticas neoliberais, privatizações, flexibilização das leis trabalhistas e do enfraquecimento da proteção social.

A entrevistada ressaltou ainda que os efeitos da precarização ultrapassam a esfera econômica e atingem diretamente a vida das pessoas. Para Marina, a insegurança permanente tem alimentado o individualismo, a descrença nas instituições, o desalento e o adoecimento mental, especialmente entre os jovens trabalhadores. “A insegurança passa a organizar a vida dessas pessoas, que deixam de acreditar na estabilidade, na aposentadoria e até mesmo na capacidade de transformar a realidade coletivamente”, afirmou. O debate reforçou a importância da atuação sindical diante das novas configurações do trabalho e da necessidade de construir estratégias capazes de fortalecer a organização coletiva e a defesa dos direitos da classe trabalhadora.

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