HGF: Falha no atendimento leva servidora acidentada no local de trabalho a perder um dedo

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O fato ocorreu durante seu plantão na Emergência, quando a servidora tentou manusear uma maca com paciente. A equipe do Conselho Gestor entregou ofício ao diretor geral, dando ciência de que o CEREST-CE estava acompanhando o caso, e se dirigiu ao Serviço de Especialização em Saúde do Trabalhador (CESMT).


A denúncia também chegou ao MOVA-SE e pela própria servidora que foi encaminhada ao departamento jurídico do sindicato. Segundo ela, na segunda-feira, 16 de abril, às 16h45min, teve a falange do polegar esquerdo decepada enquanto manuseava maca em péssimas condições de uso. Conta que no momento em que o fato ocorreu havia grande demanda de pacientes na Emergência e insuficiente número de servidores para atendê-los. “O resultado do ocorrido foi uma visível redução da capacidade laborativa da servidora”, diz o advogado do MOVA-SE, Carlos Eudenes, que deverá ingressar com ação por reparação de danos.


Depois de ouvir a enfermeira chefe e um clínico geral do CESMT, a equipe do Conselho Gestor está elaborando relatório conclusivo, mas já se pode dizer que a assistência dada à servidora foi falha. Para a servidora do CEREST-CE, Auxiliadora Alencar, “houve falha no acompanhamento à vítima do momento em que aconteceu o acidente até o momento em que ela foi levada por uma amiga, ao invés de ambulância, ao IJF”. O diretor José Boutala Neto, que é representante suplente do MOVA-SE, fez parte da visita técnica.


EMERGÊNCIA ATRIBULADA

Quando perguntado, o clínico Salomão Sampaio, que não estava de plantão no momento do acidente, disse que o procedimento correto seria a desinfecção e o acondicionamento imediato da parte decepada em isopô com gelo. Como o hospital não dispunha de cirurgião vascular de plantão, enquanto alguém rapidamente conduz a vítima até uma unidade que dispunha, no caso, o IJF, outra pessoa liga e já deixa o plantonista de sobreaviso.


Não foi o que aconteceu. No início de noite daquela fatídica segunda-feira, 16/4, uma colega de trabalho da técnica de enfermagem teve dificuldade de encontrar no chão da atribulada emergência do HGF o pedaço de dedo. “Enquanto ela ainda estava aqui encaminhamos para a enfermaria do hospital para que fosse feito um curativo, já que o nosso plantão para acidentes de trabalho só vai até 17 horas”, conta a enfermeira do trabalho chefe do CESMT, Maria das Graças. Sem ambulância, funcionou a solidariedade de uma colega de trabalho que conduziu a vítima até o HGF. Lá foi constatado que não havia mais o que ser feito pela demora e pelas condições inadequadas em que a parte decepada chegou.


NEGLIGÊNCIA

Não há como justificar tal fato se considerarmos que o HGF é para o nosso estado o hospital referência da Rede Sentinela, de atenção integral à saúde do trabalhador. Teoricamente, a servidora estaria no local certo para evitar o pior. Mas o pior aconteceu, o que exige providências imediatas para o caso, até mesmo para evitar que outros servidores voltem a ser vítimas de descaso com a saúde estadual.


Em março de 2011 o MOVA-SE denunciou aos órgãos públicos responsáveis as condições precárias de trabalho e de atendimento nas emergências dos hospitais estaduais, entre eles o HGF. Dessa vez, voltamos a denunciar e a peprovidência aos órgãos competentes por entender que este não é um fato isolado, mas está relacionado à precariedade da emergência do HGF tanto para quem é atendo como para quem atende.

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