A toxidade do poder

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Nos últimos tempos, as atenções se voltam para os desmandos, as falcatruas, o egoísmo, a violência, a ganância, a falta de civilidade, a insensibilidade para as necessidades alheias e, especialmente, os abusos de poder. São comportamentos observados em toda parte e em todos os contextos sociais. 


Exércitos de desempregados, infelizes e desesperados, formam fileiras para mudarem de lado, buscando integrar o grupo dos privilegiados empregados. Enquanto isso, milhares de empregados, também infelizes e à beira de um colapso, catalisam atribuições além de sua capacidade, tentando superar seus limites para cobrir metas e acalentar os desafios organizacionais. Um verdadeiro paradoxo.


A busca tenaz pelo poder acomete grande parte das organizações e alimenta uma desumanidade inconcebível, tornando o ambiente de trabalho tóxico e muitas vezes desumano. Açambarcado pelo trabalho e obcecado pelo poder, muitos prescindem do essencial e passam a agir mecanicamente sem a alma. Jogam fora a saúde, a convivência com a família, os amigos, o lazer e a ética, transformando-se em genuínas máquinas.


A solução é agir em duas direções. Para fora, abominando e não aceitando essa conduta e esse comportamento, de quem quer que seja. E para dentro, realizando uma autoanálise e reconhecendo que o seu comportamento também é tóxico. Você deixa de ser um espectador, esperando que somente os outros mudem, passando então a agir com civilidade. “De nada adianta a um homem ganhar o mundo se ele perder sua alma” (Mateus, 16,26).


Sabino Alano Magalhães Bizarria

Engenheiro Agrônomo

Mestrado em Economia Rural

Diretor administrativo do Sindicato Mova-se

Presidente da ASSEMA

 

 

 

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