Nos 99 anos de nascimento de Paulo Freire, um dos maiores pensadores da educação, respeitado em todo o mundo, a lembrança de um encontro com a juventude

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Nos 99 anos de nascimento de Paulo Freire, um dos maiores pensadores da educação, respeitado em todo o mundo, a lembrança de um encontro com a juventude

Matéria Prima lançou na televisão brasileira – que está completando 70 anos – um novo formato de programa de auditório, com protagonismo da juventude. Lançou também o apresentador Serginho Groisman, que se tornou atração de maior audiência na TV Cultura, na época, de 1989 a 1990 (depois Serginho mudou-se para o SBT, onde apresentaria o Programa Livre, antes de ir para a Globo e ficar quase dois anos na “geladeira” até ressurgir com o seu Altas Horas, sem a mesma pegada “livre” dos anteriores.

Na época em foi entrevistado, Paulo Freire era secretário da Educação da Prefeitura de São Paulo, gestão de Luiza Erundina (1989-1992), então no PT.  Em sua resposta à estudante, Freire diz: “Ora, puxa, esta é uma pergunta muito bacana”.

Paulo Freire, subversivo internacional

O educador, que trabalhou também no governo de João Goulart antes do golpe de 1964, lembra que foi preso após a deposição de Jango pela ditadura civil-militar por ter proposto ao país um método educacional respeitado no mundo inteiro.

“Fui preso por ser considerado um perigoso subversivo internacional, inimigo do povo brasileiro e inimigo de Deus. Ainda arranjaram mais essa carga pra mim: ser inimigo de Deus”, ironiza.

“Puxa, a ditadura estragou este país da gente e continua estragando hoje. A ditadura não inaugurou o autoritarismo, porque o autoritarismo está entranhado na natureza da nossa sociedade. O Brasil foi inventado autoritariamente”, prossegue Freire, ponderando que o regime pós-64 deu um impulso muito grande para o crescimento do autoritarismo, da violência e da mentira. “Foi uma coisa trágica.”

“Deus queira, agora diria eu, que jamais (a ditadura) se reinvente. Que tomemos, menino e meninas, jovens e maduros, todos, tomemos um tal gosto pela liberdade, pela presença no mundo, pela pergunta, pela criatividade, pela ação, pela denúncia, pelo anúncio, que jamais seja possível a gente voltar àquela experiência de pesado silêncio sobre nós”, finaliza o educador.

O trecho desta pergunta começa no minuto 12:45 do vídeo abaixo, postado no YouTube pelo Centro Paulo Freire. A RBA sugere que seja visto na íntegra. Em 30 minutos, Paulo Freire fala também de ética, democracia, gestão pública e, claro, educação.

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