Doze fatos para entender a escalada de tensão entre EUA e Irã em 2019

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Washington e Teerã protagonizaram episódios de tensão durante todo o ano; o site Opera Mundi separou alguns deles

Escrito por: Redação Opera Mundi

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou na noite desta quinta-feira (2) um ataque aéreo sobre Bagdá, capital do Iraque, que matou o general iraniano Qasem Soleimani.

Em resposta, o governo do Irã qualificou o ataque como uma “escalada extremamente perigosa e imprudente” deflagrada por Washington, enquanto o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo da nação islâmica, pediu “vingança”.

O site Opera Mundi separou doze fatos que ocorreram em 2019 sobre a escalada de tensão entre Washington e Teerã.

Janeiro

No primeiro mês do ano de 2019, após ter imposto diversas sanções econômicas em 2018 contra o Irã e ter retirado os EUA de forma unilateral do acordo nuclear iraniano, o governo do presidente Donald Trump continuou os ataques verbais e diplomáticos contra a nação islâmica. Em visita ao Cairo, no Egito, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, chegou a afirmar que Washington só apoiaria uma reconstrução na Síria, que sofrera com anos de guerra desde 2014, se o Irã retirasse tropas do país árabe.

“Não apoiaremos a reconstrução da Síria até que as tropas do Irã se retirem”, disse o secretário norte-americano à época, quando também criticou a aproximação entre o grupo libanês Hezbollah e o governo iraniano.

Fevereiro

No mês em que se comemorou o 40º aniversário da Revolução Iraniana, Teerã aproveitou as celebrações para demarcar um posicionamento de defesa perante os ataques norte-americanos. À época, o presidente do Irã, Hassan Rouhani, chegou a dizer que os EUA realizavam uma “conspiração” contra o país em conjunto com os “sionistas e os Estados reacionários”, em referência a Israel e Arábia Saudita, aliados de Washington na região.

“A presença de pessoas nas ruas em toda a República Islâmica do Irã significa que o inimigo nunca vai alcançar seus objetivos malignos”, disse o presidente iraniano em discurso durante a comemoração do aniversário da revolução islâmica.

Março

Os movimentos norte-americanos em outros países do Oriente Médio também causaram atritos entre Washington e Teerã. Em março, Trump reconheceu formalmente a soberania de Israel sobre as colinas de Golã, região rica em recursos hídricos tomadas da Síria em 1967, na Guerra dos Seis Dias, e anexadas em 1981.

À época, o governo iraniano acusou os EUA de “colonialismo” e disse que a decisão de Trump contrariava “todas as leis e regras internacionais”.

“Ninguém pensava que um homem viria da América e entregaria, de forma unilateral e contra todas as leis e regras internacionais, uma terra de um país a seu agressor”, disse o presidente do Irã, Hassan Rouhani.

Abril

No início de abril, Trump resolveu aumentar as agressões contra Teerã e classificou a Guarda Revolucionária do Irã, equivalente ao Exército do país, como um “grupo terrorista”.

“Este passo sem precedentes […] reconhece a realidade que o Irã não é só um Estado patrocinador do terrorismo, mas também que a IRGC [sigla em inglês da Guarda Revolucionária], participa, financia e promove o terrorismo como uma ferramenta estatal”, disse Trump no período.

Em resposta, o governo iraniano classificou os Estados Unidos como um “Estado patrocinador do terrorismo” e as forças norte-americanas no Oriente Médio como “grupos terroristas”. “O IRGC, ao contrário da América e seus aliados regionais, que sempre apoiaram extremistas e grupos terroristas na região oeste da Ásia, têm estado sempre na linha da frente do combate ao terrorismo e ao extremismo na região”, acrescentou o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã.

Maio

“Vamos ver no que dá”, disse Trump após anunciar no final de maio o envio de mais de 1,5 mil soldados norte-americanos ao Oriente Médio. O jornal New York Times já havia publicado uma reportagem sobre as intenções do presidente no começo daquele mês.

À época, o secretário de Defesa dos EUA, Patrick Shanahan, disse que o aumento do contingente no Oriente Médio evitaria o risco de “movimentações mal calculadas” do Irã.

“Isso não tem a ver com guerra, temos objetivos no Oriente Médio: a liberdade de navegação, a luta contra o terrorismo na Síria e no Iraque, a derrota da Al Qaeda no Iêmen, a segurança de Israel e da Jordânia”, afirmou Shanahan.

Junho

O secretário de Estado de Trump, Mike Pompeo, voltou a acusar o Irã em meados de junho, quando o norte-americano disse que Teerã era responsável por ataques a dois navios petroleiros que navegavam pelo Golfo de Omã, entre o território iraniano e os Emirados Árabes. À época, Pompeo chegou a dizer que o episódio representava uma ameaça à “paz internacional”.

As explosões nos petroleiros – um norueguês e outro japonês – no Golfo de Omã aconteceram enquanto o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, estava em visita oficial a Teerã. Pelo Twitter, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Javad Zarif, negou as acusações dos EUA e disse que as propostas de diálogo do país “são imperativas”.

Julho

As tensões na relação entre Irã e EUA voltaram a escalar no dia 20 de julho, após o bloqueio de um barco petroleiro britânico no estreito de Ormuz. Teerã pediu a Londres para “deixar de ser cúmplice” dos EUA, um dia depois de a Guarda Revolucionária Iraniana bloquear um petroleiro britânico na região sob alegações de que teria se chocado com barco de pesca.

Ainda naquele mês, os EUA anunciaram o abatimento de um drone iraniano também no estreito de Ormuz. Porém, a informação foi desmentida por Teerã, que disse que Washington poderia ter derrubado uma aeronave de sua própria marinha.

Agosto

O Departamento do Tesouro dos EUA voltou a impor novas sanções econômicas contra o Irã por uma suposta rede de pessoas que auxiliavam no programa de mísseis iraniano.

“Enquanto o regime iraniano tenta usar esquemas complexos para esconder seus esforços para impulsionar seu programa de [Armas de Destruição Maciça], a administração dos EUA continuará a frustrá-los em cada vez”, disse a subsecretária do Tesouro, Sigal Mandelker.

Por sua vez, Teerã afirmou que não negociaria o programa de mísseis do país, negando que este violasse as resoluções da ONU, como afirmam diversos responsáveis dos EUA, incluindo o secretário de Estado, Mike Pompeo.

Setembro

Um dos pontos de maior tensão entre EUA e Irã se deu quando Washington e sua aliada Arábia Saudita acusaram Teerã de ser responsável pelos ataques contra refinarias sauditas no dia 15 de setembro. Um ataque com drones atingiu duas instalações petrolíferas da companhia estatal saudita Aramco, causando uma redução na produção em 5,7 milhões de barris/dia, ou mais de 5% da oferta mundial de petróleo cru.

Trump anunciou um aumento de sanções contra o Irã após o episódio. O governo iraniano se defendeu e disse que os ataques contra os alvos sauditas haviam sido realizados por forças houtis, rebeldes iemenitas que lutam contra a coalizão governista no Iêmen apoiada pela Arábia Saudita. Os houtis reivindicaram a autoria do ataque.

“É claro como cristal. Um confronto aconteceu entre dois países. Um lado do confronto são os iemenitas, que anunciaram explicitamente que eles realizaram o serviço”, disse à época o ministro da Defesa do Irã, general Amir Hatami.

Outubro

Sob a justificativa de auxiliar na defesa da Arábia Saudita após os ataques contra as refinarias, os EUA anunciaram o envio de mais soldados ao país aliado no começo de outubro. Segundo o secretário de Defesa de Trump, Mark Esper, a medida tinha o objetivo de proteger seu principal aliado no Oriente Médio dos atos de “desestabilização” do Irã.

“Junto a outras tropas, isto representa 3 mil soldados adicionais mobilizados no último mês” na Arábia Saudita, disse Esper à época.

Novembro

Durante o ano de 2019, Teerã tomou medidas recíprocas à saída dos EUA do acordo nuclear de 2015 e anunciou ações que rumavam ao enriquecimento de urânio. Em novembro, o presidente iraniano Hassan Rouhani disse que o país voltaria a acionar centrífugas da planta de energia Fordow, a noroeste do território.

Washington rechaçou a decisão e disse que consideraria a reativação das instalações “um grande passo na direção errada”.

Dezembro

Um grupo de manifestantes tentou invadir a embaixada dos EUA em Bagdá, no Iraque, na manhã do último dia do ano, 31 de dezembro. A ação ocorreu durante um um ato contra os recentes ataques aéreos do Exército norte-americano contra bases do grupo libanês Hazbollah, que deixaram 25 mortos e 51 feridos.

De acordo com a imprensa local, as forças de segurança dos EUA usaram gás lacrimogêneo para dispersar a multidão que rompeu uma porta lateral para entrar no complexo, localizado na zona verde, ao som de gritos como “morte à América”.

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