Crônica | Amizade é amor na ausência e na presença

Elandia Duarte

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Amizade tem de ter sustentação para além das levezas e cervejas. Senão, não vale

Das coisas que mais me lembro de minha avó é uma frase que ela repetia sempre: “você só conhece um amigo na hora da adversidade”. – Foto: Carlos Bassan

Das coisas que mais me lembro de minha avó, além das renovações, dos sequilhos, doces de leite e caminhadas demoradas para casa das filhas, é uma frase que ela repetia sempre: “você só conhece um amigo na hora da adversidade”. Era muito pequena para entender a dimensão do ditado repetido tantas vezes por ela.

Nessa quarentena, tenho entendido toda a amplitude disso. Amizade tem de ter sustentação para além das levezas e cervejas. Senão, não vale. Esses dias de isolamento têm sido violentos e dolorosos de várias formas e meios. Estar sozinha cansa. Estar junto de forma remota, cansa. O medo e a incerteza se fazem companhias cotidianas constantes.

Ter amigas e amigos para mandar áudio no meio da madrugada ou meio do dia, com áudio de vinte minutos, ou mesmo só uma tentativa falida de comunicação entrecortada com choro e tédio é que tem me ajudado a resistir a esses tempos tão intoleráveis.

Esse texto é curto e meio sem pé nem cabeça, como têm se configurado para mim esses últimos meses. É uma tentativa meio capenga de uma ode pública ao amor fraterno que uma efetiva amizade possibilita. É um registro de minha gratidão a todos os meus amigos e amigas, também ao camarada com quem no momento namoro e que se tornou, além de companheiro, meu melhor amigo.

Minha vida é melhor por ter vocês nos meus dias. Esse peso cotidiano é suportável por compartilhar afeto genuíno com gente íntegra e que me ajuda tanto a ser gente nesse mundo desumano. Agradecimento aos meus amigos e amigas que não preciso nomear porque, apesar da distância de quilômetros ou de anos de conivência, sabem quem são, sabem que compõem minha lista afetiva de sustentáculo do que sou.

Amo cada um de vocês e tudo o que somos juntos. Fiquemos firmes que já, já a gente toma uma cerveja junto, ou não. Nos telefonaremos, ou não. Nos enviaremos cartas, ou não. Continuaremos nos amando, lutando por um outro tipo de sociabilidade que não nega nossa humanidade, sim, e cada vez mais.

Fiquemos firmes!

*Professora em Brejo Santo (CE)

Edição: Francisco Barbosa

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